Ageismo: experiências diversas no envelhecer
Ser idoso pode vir carregado em si de vários estigmas. Eles são percebidos no ageismo ou idadismo (preconceito pela idade), que pode existir associado a outros preconceitos.
Raça, sexo, classe, sexualidade, deficiência, aparência e religião podem combinar entre si, potencializando ou não o preconceito. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a estrutura teórica para compreender essa situação é denominada interseccionalidade.
Quando o ageismo se combina com a deficiência, o preconceito se manifesta na falta de respeito à necessidade e ao direito de autonomia do idoso. Da mesma forma, a exclusão dele das decisões relacionadas à sua vida. A falta de recursos financeiros e apoio governamental pode forçar o idoso a viver com a família. Em alguns casos, pode vir a perder sua autonomia e até mesmo ser vítima da violência e isolamento.
As ILPis (Instituições de Longa Permanência para Idosos) também podem ser opções de acolhimento. Porém, dependendo da dinâmica de trabalho da instituição, esse idoso pode ou não perder a autonomia e sofrer maus-tratos e violência.
Quando o ageismo se combina com LGBTQIA+, se o idoso já é invisível, ele tem uma invisibilidade ainda maior. O maior risco à solidão, isolamento social e abandono está nessa comunidade. Para tentar evitar o preconceito, muitos idosos escondem seu estilo de vida e rompem com a família e amigos.
Alguns chegam a se esconder dos médicos, o que pode impossibilitar tratamentos preventivos e cuidados direcionados. Caso necessitem estar em ILPI, se veem obrigados a apagar sua história e orientação para serem aceitos no local. O preconceito é mais visível em ILPIs administradas por entidades religiosas.
Quando o ageismo se combina com racismo, afeta em várias situações. Por exemplo, acesso a condições de vida melhores, educação, sistema de saúde, bons serviços públicos e privados e alimentação saudável. Situação que acompanhará a pessoa por toda a vida e afetará seu envelhecimento
Quando se combina o ageismo com o envelhecimento da mulher, há uma pressão vivida para manter a beleza. Muitas vezes associada à juventude, faz com que ela viva preconceitos relacionados à sua aparência “velha”.
O combate ao envelhecimento gera uma constante preocupação com a aparência (beleza), marcado pela necessidade de eliminar sinais de idade, como:
✔ rugas;
✔ corpo “gordo” e flácido;
✔ cabelo branco, entre outros.
Como as pessoas com quem você trabalha expressam esses preconceitos? Vocês já conversaram sobre isso? É fundamental colocar o ageismo na pauta de atividades dos grupos.
Por: Ana Paula Lage

INICIATIVA

Longevida — consultoria na área do envelhecimento. Elaboraram o Glossário Coletivo de enfrentamento ao idadismo.
Link de acesso: https://www.longevida.ong.br/glossario_idadismo.pdf

SAIBA MAIS

Encontro sobre deficiência e envelhecimento: as interfaces
https://www.youtube.com/watch?v=n2KUlkp3PuM&ab_channel=DefensoriaSP
Vídeo, IDOSOS LGBT (Sou 60)
https://www.youtube.com/watch?v=0wiPz5FHEm4&ab_channel=Sou60
Mais 50 faz muito bem-Envelhecimento e racismo
https://www.youtube.com/watch?v=9tzcPOJxgJ4&ab_channel=TVC%C3%82MARAS%C3%83OPAULO

Sete situações de sexismo no cotidiano das brasileiras
Relatório Mundial sobre idadismo: https://iris.paho.org/handle/10665.2/55872

Dorea, Egidio L. Idadismo. Um mal universal pouco percebido, Ed. Unisinos, 2020.
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