RELAÇÕES FAMILIARES E CUIDADO
O conceito de família é amplo, comporta uma infinidade de configurações e não cabe juízo de valor sobre o que é certo ou errado. É no espaço familiar que se iniciam as relações sociais que impactam diretamente no desenvolvimento do ser humano ao longo da vida.
A família é um suporte social significativo para as pessoas idosas. A proteção e o cuidado aos 60+ devem ser considerados como norma estruturante da parentalidade, com respeito ao direito de convívio familiar que proporcionará dignidade. O cuidado é uma condição básica para a vida e se dá em nosso cotidiano, seja pelo autocuidado, seja pela relação com o outro, incluindo o contexto familiar.
Sabe-se que é justamente na dependência de cuidados que ele se torna evidente. Entretanto, essa tarefa é desafiadora para muitas famílias, e torna-se ainda mais difícil quando a pessoa idosa tem limitações físicas ou psíquicas que afetam a autonomia e a independência para as atividades da vida diária.
Relações familiares e Cuidado com o Idoso
Mas a quem de fato cabe o cuidado da pessoa idosa? Cabe à família, à sociedade e ao Estado. Segundo a Constituição Federal de 1988, o Estado também tem responsabilidade na proteção das pessoas idosas. Porém, do ponto de vista prático, as políticas públicas existentes ainda são insuficientes e não conseguem ofertar retaguarda e serviços que possam aliviar a carga gerada pelo cuidado, deixando a responsabilidade a cargo da família. Por isso, é tão relevante a implementação de uma Política Nacional de Cuidados em nosso país que inclua as necessidades da pessoa idosa e de sua família.
A tarefa do cuidado, especialmente na dependência, traz desafios e exige que as famílias se adaptem e reorganizem as rotinas nessa etapa da vida. Um ponto-chave é a definição de um cuidador para apoiar a pessoa idosa em suas atividades, que pode tanto ser um familiar ou amigo quanto um profissional remunerado para cumprir essa função. Porém, como o cuidado não se resume apenas a uma ajuda para as limitações diárias e vai mais além da atenção às necessidades básicas, é necessário haver uma boa convivência entre o cuidador e a pessoa idosa e com a família na totalidade.
Como orientação às famílias e cuidadores, a Associação Garden Ville de São Paulo faz algumas recomendações que podem ajudar na prática do cuidado com idosos. São elas:
- buscar uma comunicação transparente, incentivando as pessoas idosas a expressarem seus sentimentos e desejos;
- tomar decisões de forma colaborativa e envolver o familiar idoso nas decisões relacionadas à sua vida;
- realizar planejamento antecipado de temas delicados, como cuidados de saúde, testamentos e planos de longo prazo;
- respeitar a autonomia e decisões das pessoas idosas sempre que for possível;
- dar transparência às responsabilidades familiares e distribuição de tarefas de cuidado entre os membros da família;
- incentivar a participação de toda família nos cuidados e na tomada de decisões;
- buscar apoio e orientações de profissionais, de grupos de apoio ou de serviços de aconselhamento familiar;
- resolver construtivamente os conflitos familiares, focando em soluções e não em culpas;
- promover a inclusão social para encorajar a participação em grupos de lazer, eventos comunitários e interações sociais.
São medidas simples, mas se forem incorporadas na rotina, podem facilitar os relacionamentos.
E você? Como está organizando sua vida para a longevidade? Sua família está incluída no projeto? Seus vínculos estabelecidos podem ser melhorados? Há vínculos que foram abandonados e que possam ser retomados? Há algum ponto conflituoso da relação com sua família que precisa ser revisto e ressignificado? Como você tem se cuidado na atualidade de modo a impactar na qualidade da sua longevidade?
Lembre-se que as relações familiares e sociais são construídas ao longo do tempo e o fortalecimento dos vínculos depende do investimento feito nesse processo.
Escrito por Mariane Coimbra e Natália Horta
REFERÊNCIAS
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PINTO, Liz Coe Gurgel Lima. RÓSEO, Fabianne Ferreira Costa. Envelhecer com Saúde: O Desafio do Cuidar Humanizado. Revista Interfaces da Saúde. Acacali – CE. 2014
PARA SABER MAIS:
PodCast- Economia do Cuidado: o trabalho invisível. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/1mQ26Px6KwzFLCdUJaRFXB?si=vWj1DZwCQnS5cy_wmvRz8Q
LEME, Vanessa Barbosa Romera; FALCÃO, Amanda Oliveira. MORAIS, Gisele Aparecida de; Braz, Ana Carolina; COIMBRA, Susana; FERNANDES, Luana de Mendonça. (2016). Solidariedade Intergeracional Familiar nas pesquisas brasileiras. Revista da SPAGESP, São Paulo, v. 17(2), 37-52. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702016000200004
BRASIL. Guia para Implementação de Boas Práticas e Programas Intergeracionais / Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. – 1ª. ed. – Brasília: Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, 2022. p.26-41. Disponível em: https://www.gov.br/participamaisbrasil/blob/baixar/21389
Livro: Família, rede de suporte social e idosos. Marisa Accioly e Yeda Duarte. Disponível em: https://openaccess.blucher.com.br/download-pdf/452
Documentário: Alzheimer na Periferia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sNg54_B8UBE
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