Perspectivas e desafios para os 60+: Moradia com famílias e outras pessoas

Como falamos no texto anterior, existem vários formatos possíveis de moradia na velhice. A escolha de morar com familiares ou com outras pessoas é uma decisão importante que pode impactar significativamente a qualidade de vida dos 60+, pois está diretamente relacionada à qualidade dos vínculos e da convivência entre os membros. 

De forma geral, os pontos a se considerar na opção de viver com familiares ou outras pessoas, são: 

  • Rede de Apoio Familiar: morar com familiares pode oferecer uma valiosa rede de apoio emocional e prática. Ter entes queridos por perto pode proporcionar conforto e segurança, além de facilitar o acesso a cuidados e suporte em momentos de necessidade.
  • Companhia Constante: a presença contínua de familiares em casa pode ajudar a reduzir o isolamento social e promover uma sensação de pertencimento e conexão. Compartilhar experiências e momentos de convivência pode enriquecer a vida diária das pessoas idosas.
  • Divisão de Responsabilidades: morar com familiares pode significar dividir responsabilidades domésticas e financeiras, o que alivia o fardo do dia a dia e permite uma distribuição equitativa de tarefas entre os membros da família.
  • Limitação da Privacidade: compartilhar um espaço de vida com familiares pode levar à falta de privacidade e autonomia, podendo gerar conflitos e tensões no ambiente doméstico.
  • Dependência Excessiva: a dependência excessiva dos familiares para cuidados e suporte pode resultar em sobrecarga emocional e desequilíbrio nas relações familiares.

Pontos importantes ao decidir morar com outras pessoas que não são familiares:

  • Novas Amizades e Conexões: morar com amigos ou colegas pode proporcionar oportunidades para criar novas amizades e construir redes de apoio social fora do círculo familiar.
  • Compartilhamento de Experiências: compartilhar um espaço de vida com outras pessoas pode enriquecer a vida das pessoas idosas por meio do compartilhamento de experiências, interesses e atividades em comum.
  • Independência Relativa: morar com outras pessoas pode oferecer um equilíbrio entre independência e suporte, permitindo que as pessoas idosas mantenham uma certa autonomia enquanto desfrutam da companhia e colaboração de colegas de moradia. A independência e a autonomia também podem surgir com o apoio e suporte de outra pessoa. Você pode continuar tomando suas decisões, mas entender que um braço amigo ajuda também nisso.
  • Conflitos de Convivência: viver com amigos pode resultar em desafios de convivência, incluindo diferenças de personalidade, estilo de vida e preferências que podem levar a conflitos e tensões no ambiente doméstico.
  • Gerenciamento Financeiro: dividir a moradia com outras pessoas pode exigir uma cuidadosa gestão financeira para dividir despesas e garantir a equidade, ou seja, o equilíbrio, no compartilhamento dos custos relacionados à moradia e ao estilo de vida.

É possível também a moradia compartilhada em estruturas onde os espaços comuns, como sala e cozinha, são compartilhados com todos os moradores e os quartos são individuais. Dessa forma, mantém-se um equilíbrio entre estar sozinho e, ao mesmo tempo, estar com pessoas. Algumas casas oferecem recursos de apoio médico e suporte emergencial. 

Em resumo, a escolha entre morar com familiares ou com outras pessoas na velhice envolve uma cuidadosa consideração de perspectivas e desafios únicos. Ao tomar essa decisão, é importante considerar as necessidades individuais, preferências pessoais e objetivos de vida, buscando criar um ambiente de convivência que promova o bem-estar e qualidade de vida.

Escrito por Mariane Coimbra e Gabriella Zubelli 

REFERÊNCIAS

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  • BRAGA, Sonia Faria Mendes; GUIMARAES, Ludmila de Vasconcelos Machado; SILVEIRA, Rogério Braga; PINHEIRO, Daniel Calbino. Políticas públicas para os idosos no Brasil: a cidadania no envelhecimento. Diálogos Interdisciplinares, Salvador, v. 5, n. 3, p.95-112, maio 2016. ISSN 2317-3793. Disponível em: https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/171/338. Acesso em: 25 mar. 2020.

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