ENCONTROS ENTRE GERAÇÕES: UM NOVO OLHAR PARA AS RELAÇÕES NA VELHICE

Em 2020, pela primeira vez na história da humanidade, o mundo passou a ter mais avós que netos. O número de pessoas idosas (60 anos ou mais) foi maior que o de crianças menores de 5 anos. A tendência é que essa diferença continue a aumentar, esperando para 2050 que haja o dobro de pessoas idosas em relação ao número de crianças menores de 5 anos, e que haja mais pessoas idosas que adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos. Essa perspectiva mundial também acontecerá no Brasil e as projeções indicam que os mais jovens (0-14 anos) representarão, em 2050, aproximadamente 13% da população, ao passo que os idosos, cerca de 30% da população – um encontro entre gerações. 

Uma população mais idosa é um sinal de longevidade. Em um contexto marcado por tantas desigualdades como o brasileiro, essa conquista demanda estratégias em todos os estágios da vida. Além disso, requer maior investimento e priorização do Estado e da sociedade civil em relação às políticas públicas e à garantia de direitos, especialmente das pessoas idosas. Na mesma direção, a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu a década do Envelhecimento Saudável 2021-2030, chamando governos, sociedade civil, organizações internacionais, profissionais, instituições acadêmicas, mídia e setor privado para agir sinergicamente e melhorar a vida das pessoas idosas, das suas famílias e comunidades.  

Haverá mais pessoas idosas que conviverão com pessoas de diferentes gerações, tanto em nível familiar e comunitário quanto na sociedade. Mais do que nunca, o lema do Plano de Madrid “Construir uma sociedade para todas as idades” cresce em importância. Precisamos criar e favorecer oportunidades de relações entre diferentes gerações, capazes de romper as múltiplas barreiras que impedem que nossa sociedade seja realmente para todos e para todas as idades (SÁNCHEZ et al., 2007). 

A intergeracionalidade, compreendida como encontro e partilhada entre pessoas de diferentes gerações, é recomendada tanto em nível familiar quanto comunitário e em toda sociedade, construída com base em valores como a interdependência, a solidariedade e a reciprocidade. Portanto, indo muito além de reunir diferentes gerações em um mesmo espaço. Dentro de um grupo, a intergeracionalidade pode ser um meio para desenvolver e aproveitar as potencialidades de todos, enquanto um lugar de vida, e não apenas relativo às relações e interações (SANCHEZ, 2007).

As práticas intergeracionais podem contribuir significativamente para um mundo mais justo e digno para as pessoas de todas as idades viverem de modo mais saudável e com mais bem-estar. Elas propiciam que as crianças, os jovens e os adultos envelheçam como sujeitos, não só recebendo o suporte que precisam, mas também contribuindo para a comunidade. A conexão entre as pessoas é parte essencial do bem-estar e impacta na coesão social e na qualidade de vida das pessoas, das famílias e da comunidade de modo geral. Nosso convite é para que você diga “sim” quando alguém convidar para experimentar algo com outras gerações, seja de gerações mais novas, seja de gerações mais velhas. Além disso, para que você convide pessoas mais jovens para conviver e trocar ideias com você. Afinal, na vida, somos todos aprendizes!

Escrito por Mariane Coimbra e Natália Horta

 

REFERÊNCIA:

SANCHÉZ, M. (org). Programas intergeracionales: hacia una sociedad para todas las edades. Colección Estudios Sociales, n. 23. 2007. 265p. Disponível em: https://www.researchgate.net/ publication/242498227_Programas_intergeneracionales_Hacia_una_sociedad_para_todas_las_edades

PARA SABER MAIS:

-Guia para Implementação de Boas Práticas e Programas Intergeracionais do Ministério  da Mulher, da Família e dos Direitos humanos. Disponível em: https://www.gov.br/participamaisbrasil/blob/baixar/21389

Artigos:

— Programas intergeracionais: quão relevantes eles podem ser para a sociedade brasileira?  FRANÇA, L.; SILVA, A. BARRETO,M. REV. BRAS. GERIATR. GERONTOL., RIO DE JANEIRO, 2010; 13(3):519-531. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/55DRHDsYnS4CQ3SNKrLkYvQ/abstract/?lang=pt

— Relações intergeracionais e reconstrução do Estado de bem-estar: por que se deve repensar essa relação para o Brasil? GOLDANI, A. M. In: CAMARANO, A. A. (Org.). Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: Ipea, 2004. p. 211-250. Disponível em: https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/Arq_14_Cap_07.pdf

— WHO, 2023. Connecting generations: planning and implementing interventions for intergenerational contact. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240070264

— Revista do SESC; Intergeracionalidade: prevenção ao idadismo e construção de uma sociedade para todas as idades. 

Autores: Ingrid Rochelle, Rêgo Nogueira, Adriana Costa Batista

Disponível em: https://www.sescdf.com.br/documents/20123/287712/674_Intergeracionalidade.pdf/13fd9cbd-39b4-665e-8693-15de2a9143cd

 

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