ENVELHECER EM CASA

Muitos fatores constroem a sensação de pertencimento e de apego ao lugar. O tempo vivido em uma residência, as mudanças realizadas ao longo da vida e as memórias de eventos vivenciados nos ambientes são alguns deles. O sentido de familiaridade não pertence só à casa, ele ultrapassa os muros. Os sons do bairro, as pessoas que trabalham nos comércios e os vizinhos na rua constroem um ecossistema de conforto e segurança psicológica. 

Esse fenômeno explica muito a grande preferência das pessoas em não se mudarem, conforme vão envelhecendo e valorizarem a sua moradia.

DA PORTA PARA DENTRO

A palavra-chave aqui é adaptação. Muitos idosos resistem às mudanças por pensarem que tirarão parte da sua história no caminho. É importante reforçar sempre que elas são reversíveis e os idosos precisam ter voz ativa no processo. 

Possibilitar a realização das atividades da vida cotidiana: você que é líder, peça às pessoas idosas que observem a sua moradia e vejam o que é preciso mudar para deixá-la mais funcional. Sugira que elas façam uma lista de todas as atividades realizadas no ambiente, desde o momento que acorda até dormir. Peça também que elas observem se conseguem fazê-las de forma segura e confortável e adaptar os objetos quando houver dificuldade. 

Respeito e valorização da história de vida: faça uma dinâmica ou mesmo um bate-papo com o idoso sobre os momentos felizes e importantes que viveram em sua moradia. Sugira que ele deixe à vista fotos desses momentos, assim como objetos que tenham uma história para contar. 

Prevenção: como as quedas são o principal risco enfrentado em casa, segue uma lista de sugestões a serem dadas às pessoas idosas. Um panfleto ilustrativo pode ser uma boa ideia: 

  • mantenha caminhos livres, sem obstáculos ou armadilhas; 
  • evite desníveis; 
  • deixe pontos de apoio em locais estratégicos;
  • ajuste a iluminação para pontos que possam gerar algum risco.

Olhar o futuro: exercite, junto às pessoas idosas, mudanças que elas possam fazer atualmente para facilitar situações futuras. Reforce no discurso que, fazendo isso hoje, elas se tornam protagonistas das decisões e mantêm sua autonomia. 

 

DA PORTA PARA FORA

Aqui, a palavra é socialização. Reforçar as alianças, as amizades e as relações sociais. Faça uma lista de grupos e comunidades, assim como de atividades e serviços disponíveis no bairro da pessoa idosa ou grupo que você apoia. Depois, estimule que se conheçam. Com eles, deixe telefones à vista, rotas traçadas e planos de ação prontos em caso de emergência.

Rede de apoio e suporte entre vizinhos: grupos e comunidades. Estimule encontro entre amigos e visita entre vizinhos.

Mobilidade: estimule que os idosos procurem por rotas mais acessíveis, com calçadas uniformes, boa iluminação na rua e locais para descanso.

Atividades e serviços disponíveis: pontos de suporte à saúde, educação, comércio, cultura e lazer. 

 

Escrito por Flávia Ranieri

 

SAIBA MAIS: 

Assista ao vídeo com mais dicas para prevenir quedas em casa: https://www.youtube.com/watch?v=Xa3DCvr3a6g&t=30s

Nesta série do YouTube, “Moradia para a Longevidade”, Flavia Ranieri conversa com várias pessoas idosas, profissionais da saúde e da área de arquitetura sobre problemas e soluções para a casa: 

https://www.youtube.com/watch?v=gqgcSY_Ovss&list=PLBps8Nec__oMQAvkXrCqKZfoii_wMW6f6

Continue a sua jornada

Contempla a visão de vida holística e integral, em que temas como história de vida, relação com o tempo, propósito e finitude são a base para a construção da longevidade.

Aborda a saúde de forma integral, considerando fatores físicos, mentais e emocionais para uma vida ativa com foco na longevidade.

Aborda a importância das relações sociais na construção de vínculos de cuidado, o encontro de gerações e o enfretamento ao ageísmo além da participação social e garantia de direitos.
Traz a lente da inovação no curso da vida com temas relacionados à tecnologia, moradia, finanças, trabalho, ocupação do tempo e urbanismo na perspectiva da inclusão da pessoa idosa na sociedade.