ANSIEDADE E DEPRESSÃO X QUALIDADE DE VIDA
Uma em cada oito pessoas vive com alguma doença ou transtorno mental no mundo. Ansiedade e depressão são as mais comuns e representam 60% dos casos. Enquanto os jovens estão especialmente sujeitos à ansiedade, os mais velhos convivem mais com depressão, segundo dados do último Relatório sobre Saúde Mental no Mundo, publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora sejam condições diferentes, elas podem surgir juntas ou separadas.
Ansiedade e Depressão, como reconhecê-las
A ansiedade é um sentimento natural que move o ser humano e o acompanha desde a pré-história. Se não fosse ela, não teríamos conseguido evoluir. Porém, no passado, o perigo era representado por um perigo real, que provocava no homem várias reações que o preparavam para enfrentar ou fugir. Tudo era resolvido naquele momento. Hoje, o que causa ansiedade? Um carro desgovernado vindo na sua direção? Medo da violência urbana? Cobranças da família? Medo do futuro? Excesso de informações digitais que podem vir de qualquer parte, verdadeiras ou falsas, com a possibilidade de ajudar ou com a intenção de causar prejuízo para alguém? Tudo isso junto e misturado?
Mas, afinal, o que é ansiedade? No corpo, as pupilas dilatam, os músculos se tensionam, a boca seca, o coração acelera… Na mente, a ansiedade se revela uma preocupação intensa, excessiva e persistente, ou ainda pelo medo de situações cotidianas que geram incerteza sobre o que vai ou pode acontecer, com certa apreensão negativa. A pessoa antecipa o sofrimento de uma possível situação desagradável e se torna hipervigilante, prestando atenção nos detalhes e falas, para depois pensar sobre eles. Quando as pessoas se preocupam muito e não conseguem lidar com isso, falamos então de transtornos de ansiedade que provocam no corpo e no cérebro humano uma sensação de perigo, urgência, medo e insegurança.
Da mesma maneira que na pré-história, o organismo humano reage na forma de lutar ou fugir. Os principais sintomas de ansiedade são:
- físicos: tensão muscular, taquicardia ou palpitações, dor no peito, suor em excesso, dor de cabeça, tontura, dormência nas mãos;
- psíquicos: inicialmente a pessoa pode ficar irritada; posteriormente, aparecem insegurança, alterações de humor, excesso de preocupação, de pensamentos repetitivos, medo, atitudes compulsivas.
Esses sintomas podem trazer consequências a curto, médio e longo prazo. Além de comprometer a qualidade de vida, os transtornos de ansiedade afetam os relacionamentos pessoais e profissionais, a capacidade produtiva e a relação da pessoa consigo e com o mundo. À medida que o quadro se agrava (principalmente sem tratamento), piora a maneira como a pessoa encara o ambiente, os outros e a si, levando a isolamento e solidão; baixa autoestima; dificuldade de cuidar de si; sedentarismo; emagrecimento ou obesidade; compulsões; vícios; e várias doenças, como depressão, diabetes, hipertensão e problemas cardíacos.
Como lidar com a ansiedade? Antes de tudo, é preciso cuidado com o corpo e a mente. Diferentes técnicas estão disponíveis:
- terapias cognitivo-comportamentais: técnicas de resolução de conflitos, mindfulness, meditação, psicologia positiva e terapia psicodinâmica;
- psicoterapia e psicanálise;
- prática de atividades físicas;
- alimentação balanceada, pois ajuda a suportar o estresse e a se recuperar mais facilmente de algumas doenças.
Quando a situação é um pouco mais grave, pode ser necessário o uso de medicamentos antidepressivos, sem dispensar os outros cuidados.
E a depressão? A depressão é uma doença mental que gera alterações no humor, sentimentos de tristeza, mudanças nos pensamentos e no ritmo do nosso corpo, deixando-o mais lento. Pessimismo, reclamações constantes, medo irracional e posturas indecisas ou desanimadas significam que a saúde mental de alguém não vai bem. Na depressão, também aparecem sintomas psicológicos e físicos, como:
- humor deprimido e alterações do afeto: tristeza constante, sensação de vida vazia, dificuldades de sentir prazer em atividades que antes lhes davam satisfação, certa apatia e anestesia emocional, fazendo com que a pessoa reaja pouco ou nada às situações ao seu redor;
- sintomas físicos: falta de energia, lentidão nos movimentos e uma sensação constante de cansaço, alterações no padrão de sono e no apetite para mais ou para menos;
- piora do desempenho cognitivo: dificuldades de memória e de concentração, insegurança na tomada de decisões;
- pensamentos negativos e, nos casos mais graves, suicidas.
Vale ressaltar que nem todos os sintomas podem estar presentes e podem flutuar ao longo do tempo, com períodos de melhora e agravamento. É importante lembrar que a depressão é uma doença e não um sinal de fraqueza. As mulheres têm um risco de desenvolver depressão de 2 a 3 vezes maior do que os homens. Metade dos casos apresenta o início dos sintomas entre 20 e 50 anos. Na faixa etária dos 60 anos e mais, essa diferença entre homens e mulheres diminui. Se você percebeu em você ou em alguém próximo estes sintomas, é importante buscar ajuda.
O diagnóstico deve ser realizado por um médico, psicólogo ou psiquiatra qualificado. O tratamento da depressão pode envolver uma abordagem multidisciplinar e individualizada, que inclui:
- abordagem psicológica, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC);
- uso de medicamentos antidepressivos, prescritos por um médico;
- estratégias de autocuidado, como a prática regular de exercícios, alimentação saudável e gerenciamento do estresse;
- apoio social com a participação da família e amigos.
Tanto a depressão quanto a ansiedade comprometem a qualidade de vida. Portanto, é preciso buscar o equilíbrio biopsicossocial (biológico, psíquico e social). Isso significa equilibrar as várias dimensões da vida: afetiva, espiritual, familiar, profissional e social. Todas as técnicas de tratamento, algumas das quais também servem para a prevenção, tentam ajudar a pessoa a encontrar um equilíbrio:
- aprender a meditar e se conectar consigo e com seu espiritual;
- buscar atividades físicas com as quais se identifique e crie uma rotina com elas;
- treinar a respiração, inspirando e expirando profundamente;
- realizar atividades de lazer, distrações, passeios e viagens;
- socializar, dando preferência para os encontros pessoalmente;
- organizar as rotinas, priorizando o autocuidado;
- cuidar de animais;
- ter mais contato com a natureza;
- priorizar boas noites de sono e descanso;
- praticar hábitos de autoconhecimento, como leitura e escrita.
Cuide de você e fique atento aos sinais de que algo precisa mudar na construção da sua longevidade.
Escrito por Mariane Coimbra e Juliana Duarte.
REFERÊNCIAS:
- World mental health report: transforming mental health for all. Geneva: World Health Organization; 2022. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO
- Depressão- OPAS. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/depressao
PARA SABER MAIS:
- Ansiedade e depressão são os principais vilões da saúde mental, por Juliana Costa. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/sis/noticias-comum/ansiedade-e-depressao-sao-os-principais-viloes-da-saude-mental
- Depressão (OPAS): Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/depressao
- Podcast Mentes em pauta com Dra. Ana Beatriz Barbosa e Silva e Dr. Alex Rocha.
- Depressão na 3ª idade – Disponível em:
https://open.spotify.com/episode/0SwTWqcYjzO0pRx9qOOqVV?si=17ClWXCKSeWjTj5z0Burng
- Tipos de depressão https://open.spotify.com/episode/72x0p2bdpSSeq8s6fkYVnJ?si=-iW21coLRPqW03m5Fy_aeA
- Cartilha ansiedade – UniCesumar https://www.unicesumar.edu.br/mestrado-e-doutorado/wp-content/uploads/sites/226/2020/12/Cartilha-Vamos-falar-sobre-ansiedade.pdf
Animação Ansiedade, baseado no livro de Augusto Cury. Disponível em: https://m.youtube.com/watch?v=kFsO-Lt3PzA
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