Relações sociais: pilar para uma vida saudável e uma boa relação consigo mesmo

Cada pessoa constrói seu entendimento sobre si, o outro e o mundo, a partir das relações que estabelece no meio em que vive. O ser humano nasce em situação de desamparo. Ao chegar ao mundo não consegue se cuidar sozinho. Por isso, precisa de um adulto que garanta cuidados essenciais (alimentação, higiene, afeto) para manter-se vivo e desenvolver-se. Somente à medida que amadurece é que ele vai se tornando independente e capaz de cuidar de si. Mas essa independência conquistada pouco a pouco é sempre relativa. Isso porque, ao longo de toda a existência, nos deparamos com situações de desamparo e carecemos de cuidado.

Envelhecer exige lidar com constantes mudanças. Muitas delas são sentidas como perdas importantes que necessitam da presença do outro para serem ressignificadas. Isso impõe rever com frequência os significados atribuídos a si mesmo, à própria vida e às relações. E esse processo será menos ou mais sofrido, saudável ou adoecedor, conforme:

– a capacidade de se reconhecer como ser envelhescente e em constante transformação, consentindo com as mudanças que são fruto da passagem do tempo e abre espaço para o novo em sua vida;

– a valorização da velhice na cultura promovida por todas as gerações. Isso leva a um sentimento de pertencimento da pessoa idosa na sociedade de maneira mais ampla e nos grupos menores dos quais faz parte;

– o suporte recebido por aqueles com quem estabelece vínculos afetivos (familiares, amigos etc.) e por instituições prestadoras de serviço.

A pessoa 60+ pode construir formas satisfatórias de se relacionar consigo e com o outro. Para isso, ela precisa contar com recursos materiais necessários para a manutenção da vida e apoio social. Ou seja, alimentação, abrigo, relações afetuosas e auxílio no que tem necessidade.

O isolamento social refere-se à interação com uma rede menor do que a pessoa gostaria e insuficiente quanto ao apoio das pessoas. Ele pode ser experimentado em qualquer fase da vida, mas é mais prevalente na velhice. Além disso, tem grande impacto na saúde mental da população idosa, podendo desencadear sentimentos de:

– solidão;

– ansiedade;

– depressão;

– medo;

– irritabilidade;

– insônia;

– exaustão;

– angústia;

– comprometimento da qualidade de vida;

– suicídio.

São formas de manter ou construir relações sociais significativas e evitar o isolamento: 

– buscar atividades de cultura e lazer em espaços públicos e privados, conforme preferências;

– ter contato com familiares por quem tem afeição;

– ter abertura para conhecer e relacionar-se com pessoas novas.

Cabe ressaltar que o sentimento de isolamento social será evitado somente se as relações estabelecidas tiverem significado para a pessoa 60+. Ela precisa participar ativamente na escolha desses grupos e pessoas. Além disso, ser possível, a qualquer momento durante o percurso de vida, iniciar relações sociais significativas e colher os benefícios disso.

Por: Vanessa Biscardi

INICIATIVA

Universidades para a terceira idade — programas vinculados a universidades com o objetivo de  promover cidadania e autoestima. Também incentivar autonomia, independência e reinserção social para favorecer o envelhecimento bem-sucedido e a quebra de preconceitos com relação à velhice.

Conexão 6.0 — ferramenta digital que conecta iniciativas e ações pró-longevidade com o seu público-alvo: https://redelongevidade.org.br/conexao60/

SAIBA MAIS

Filmes

– TED Talks com Robert Waldinger — Do que é feita uma vida boa? https://www.youtube.com/watch?v=2gYTG1KIcjg 

– E se vivêssemos todos juntos;

– Despedida em grande estilo;

– Up! Altas aventuras;

– Uma dama em Paris.

 

Continue a sua jornada

Contempla a visão de vida holística e integral, em que temas como história de vida, relação com o tempo, propósito e finitude são a base para a construção da longevidade.

Aborda a saúde de forma integral, considerando fatores físicos, mentais e emocionais para uma vida ativa com foco na longevidade.

Aborda a importância das relações sociais na construção de vínculos de cuidado, o encontro de gerações e o enfretamento ao ageísmo além da participação social e garantia de direitos.
Traz a lente da inovação no curso da vida com temas relacionados à tecnologia, moradia, finanças, trabalho, ocupação do tempo e urbanismo na perspectiva da inclusão da pessoa idosa na sociedade.