Refletir sobre a finitude: oportunidade para fazer escolhas

Ao longo do processo de envelhecimento, lidamos com inúmeras situações que têm início, meio e fim. O fim de muitas delas impõe grandes mudanças na vida e convida à reflexão sobre a finitude. Na velhice, ela pode ser vivenciada em várias dimensões:

✔  morte de pessoas amadas;

✔  aposentadoria;

✔  saída dos filhos de casa;

✔  mudança de papéis sociais na família e na sociedade;

✔  transformações no corpo e na autoimagem;

✔  perdas relacionadas a autonomia e independência por adoecimento;

✔  dificuldade de acompanhar as inovações tecnológicas que surgem em ritmo acelerado; 

✔  o reconhecimento de estilos de vida diferentes daqueles “da sua época”;

✔  a constatação do próprio envelhecer.

Algumas perdas são muito dolorosas. Principalmente quando o que foi perdido ocupou grande espaço na vida e recebeu um intenso investimento afetivo, levando a um processo de luto. Ele é vivenciado de forma única por cada pessoa. Entretanto, geralmente, provoca tristeza, choro, angústia, bem como perda temporária de energia e vontade de realizar atividades. Nesse momento, é de grande valia reconhecer e acolher a dor, sem exigência ou expectativa de ficar rapidamente alegre e disposto.

Outras perdas são sentidas de forma menos sofrida e podem ser vistas como o encerramento de um ciclo e o início de outro. Atualmente, o tempo que a pessoa 60+ vive após a aposentadoria pode representar ⅓ da sua vida. Logo, deixar de exercer atividades de trabalho remunerado pode ser sentido como ganho de tempo livre e oportunidade para se dedicar a outros interesses.

Quando a pessoa consegue reconhecer que a finitude existe, ela tem possibilidade de fazer escolhas mais conscientes de como investir o seu tempo. Afinal, ela sabe que ele é limitado. Dessa forma, conduz sua vida de maneira mais autônoma e satisfatória. Nesse caminho, a pessoa pode refletir e conversar sobre como quer vivenciar o fim da sua vida. Além disso, registrar a sua vontade em um documento chamado Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV). Veja no “Saiba Mais” outras informações.

Deixar de tratar doença e morte como tabus permite refletir sobre a finitude no dia a dia. Assim, favorece um processo de envelhecimento com mais autonomia e independência. Se possível, converse com quem se sentir confortável sobre isso.

Por: Vanessa Biscardi

INICIATIVA

InFINITO: plataforma de eventos e conteúdo sobre morte e cuidados paliativos, criada por Tom Almeida — ativista pela ressignificação da morte. Tem projetos como o Cineclube da Morte e o Death Over Drinks. Instagram @infinito.etc 

SAIBA MAIS

Minhas Vontades: aplicativo criado pela SBGG com objetivo de estimular o registro das DAV. https://sbgg.org.br/minhas-vontades-aplicativo-das-diretivas-antecipadas-de-vontade/

Filmes

✔  O caderno de Tommy;

✔  Antes de partir; 

✔  Em três atos; 

✔  O sétimo selo;

✔  Hanami — Cerejeiras em flor.

Livros

✔  Enquanto eu respirar: dançando com o tempo e com todas as possibilidades de estar viva até o último suspiro. Ana Michelle Soares. (2019). Ed. Sextante.

✔  Luto é outra palavra para falar de amor. Rodrigo Luz. (2021). Ed. Ágora.

✔  A morte é um dia que vale a pena viver. Ana Claudia Quintana Arantes. (2016). Ed. Sextante

Continue a sua jornada

Contempla a visão de vida holística e integral, em que temas como história de vida, relação com o tempo, propósito e finitude são a base para a construção da longevidade.

Aborda a saúde de forma integral, considerando fatores físicos, mentais e emocionais para uma vida ativa com foco na longevidade.

Aborda a importância das relações sociais na construção de vínculos de cuidado, o encontro de gerações e o enfretamento ao ageísmo além da participação social e garantia de direitos.
Traz a lente da inovação no curso da vida com temas relacionados à tecnologia, moradia, finanças, trabalho, ocupação do tempo e urbanismo na perspectiva da inclusão da pessoa idosa na sociedade.